Se não concordam com o título deste post, leiam as situações que a seguir descrevo (presenciadas diariamente
in loco aqui pelo jovem estagiário) e depois digam de vossa justiça.
Existem diferentes tipos de jornalista, assim como existem diferentes tipos de jornais e de notícias. Vou apresentar alguns dos exemplos de jornalistas que tenho observado nos últimos tempos.
O "exemplar":
É aquele jornalista que chega à redacção 10 a 15 minutos antes da sua hora de início de mais uma jorna. Almoça durante cerca de uma hora e chega à redacção, para a sua parte do trabalho da tarde, com cerca de 5 minutos de antecedência. Acaba o seu dia de trabalho 10 minutos antes da hora para que à hora certa (que é aquela estipulada no contrato de trabalho) esteja a evacuar o edifício. - É difícil, ou mesmo impossível, encontrar este tipo de jornalistas no meu local de estágio (e acredito que em todos os outros locais também.)
O "baldas":
É aquele que chega à redacção às 16 horas (isto quando aparece). Monta o seu estaminé (sim porque vem todo artilhado), o que significa cerca de meia hora, e após este cansativo e produtivo trabalho, vai tomar um cafezinho ou lanchar, isto por volta das 17 horas. Volta ao local de trabalho meia hora ou quarenta e cinco minutos mais tarde, perto das seis horas, senta-se na sua cadeirinha e faz telefonemas a um ritmo alucinante. Mãe, pai, esposa, namorada, filha, filho, primo, amigo do pai do primo do tio do colega ou até mesmo a/o amante recebem telefonemas sucessivos. Esta delicada operação, que tem a duração de cerca de meia hora, é o sinal de que está preparado para ir embora. Às 19 horas, e após umas extenuantes e árduas 3 horas de "trabalho", é ver o "baldas" a bazar do place.
O "borgas":
Ora aqui está um exemplo que até acho interessante. O "artista" chega à redacção aí umas horas antes de ela abrir. Estaciona o potente bólide e lá vai ele alapar o rabinho na cadeirinha e os pés em cima da secretária. Quando o pessoal começa a chegar, é vê-lo cheio de pedalada, como quem meteu uns speedzitos (vocês percebem!), a animar a malta. Ele canta, berra, mostra os seus dotes de DJ (os últimos êxitos pimba e outras que tal, é só o que ouvimos!), goza com tudo e com todos, brinca, passeia... Resumindo e concluindo, ele é a animação, a alma cá do sítio. Chega às 16h30 adeus que se faz tarde!!!
O "pintas":
É aquele ser com uns tiques efeminados que anda a circular, por toda a redacção, como se estivesse numa passagem de modelos. Camisinha e calcinha topo de gama, cabelinho acabado de tratar lá no "Beauté" (ou qualquer coisa do género) e lá vai ele todo gaiteiro. Trabalho??? Nem vê-lo!!!
O "desportista":
Apesar de não ter nada a ver com desporto (até porque a massiva compleição física não ajuda), o "bicho" passa o dia a jogar um futebolzito entre computadores e secretárias e monitores. Chuta a bola contra o "adversário" e corre a esconder-se (com aquele risinho que vocês conhecem) para não sofrer represálias. Vai trabalhando nos 15 minutos de interregno entre cada partida de futebol.
O "eu-trabalho-que-me-farto-e-não-recebo-nada-por-isso-além-de-um-mísero-subsídio-de-refeição-que-me-obriga-a-comer-apenas-sandes-de-torresmos" ou, para simplificar, o "estagiário":
É o verdadeiro artifície da redacção. Chega à redacção à hora marcada (se bem que ainda tem direito à meia hora de tolerância académica). Começa o dia de trabalho por ler tudo e mais alguma coisa numa busca incessante de informação. É jornais, revistas, folhetos, boletins, pasquims (sim, também lemos o 24 Horas!)... tudo lhe passa pelas manápulas ávidas de conhecimento. Depois vai ver os mails, ler as notícias online, ler os telexes...
Vai almoçar e tem 2 horitas de descanso restaurador. Regressa à base e TOCA A TRABALHAR. É escrever notícias e mais notícias a um ritmo alucinante. As edições ficam prontas para mais de um mês. Hora de saída do trabalho - não tem (mas no dia seguinte lá está ele à horinha marcada!).
Agora digam-me lá qual se não é uma boa vida (para quem já está lá dentro) e contem-me qual é o vosso tipo de jornalista preferido e, se não for pedir muito, apresentem-me mais tipos de jornalistas.
Eu cá, quando for grande, acho que vou ser um bocado uma mistura do "baldas" com o "borgas" regado com um fiozito do "desportista".
Não sei porquê, mas cheira-me que sim.
Beijinhos e abraços (conforme o género sexual e o estado civil!!!).